15 COISAS QUE OS MISSIONÁRIOS JAMAIS FARÃO EM MISSÃO

Não quero chamar os missionários de velhos, para não ofender, mas vou chamar de veteranos. Lamento que muitos veteranos quando regressaram de suas missões, não escreveram nada sobre o seu trabalho, não contaram suas experiências, nem imortalizaram suas memórias. Se eles escrevessem os problemas que enfrentaram e erros que cometeram e como superaram suas necessidades, os missionários mais jovens poderiam evitar cometer os mesmos erros, não acham?

William Carey, considerado o pai das missões modernas, quando deixou seu país de origem para ir para a China, levou consigo, como uma forma de obter recursos financeiros, centenas de tesouras para serem vendidas nas feiras livres. Chegando lá descobriu que as feiras estavam cheias de vendedores de tesouras. Se o pai das missões cometeu essa gafe econômica, os missionários, mesmo sendo empíricos, mas que tenham as informações dos veteranos, não cometeriam os mesmos equívocos. O filme que conta está façanha da vida Carey não dá maiores detalhes, de como Carey, conseguiu terminar a venda daquelas tesouras, mas imagino que levou muito tempo para desfazer-se daquele mercado.

Jesus em suas instruções de missões deixou estabelecido para que os missionários não levassem as coisas extras, porque na missão Deus iriam providenciar os meios de sustento e manutenção. Pode ser que inicialmente todas as obras os resultados financeiros sejam escassos, mas com o passar do tempo e ensinando o povo a sustentar o seu pastor, Deus faria firme aquela obra. (Mateus 10.9,10) “Não levem nem ouro, nem prata, nem cobre em seus cintos; não levem nenhum saco de viagem, nem túnica extra, nem sandálias, nem bordão; pois o trabalhador é digno do seu sustento“.

Já que certos missionários veteranos que deveriam ser nossos autores de missões, não quiseram, simplesmente guardaram suas redes e desistiram de ensinar ou até mesmo contar suas experiências. Deus me fez ver a necessidade de instruir a nova geração de missionários como Viver de Missões e colocar este livro a disposição do mercado Gospel enfatizando o trabalho missionário. Por estas razões, criei 15 coisas que os missionários jamais farão em missão.

1. Não Farão Trampolim Para Ser Pastor

O trampolim que muitos missionários já fizeram e fazem, foi ir para as missões para ser consagrado a Pastor. É muito mais fácil para um missionário ser feito Pastor enquanto é missionário, do que se ele estivesse esperando a sua consagração a Pastor numa igreja lotado de candidatos, a fila seria grande e iria demorar muitos anos.

Para que não existisse mais este trampolim, todos os missionários deveriam ser consagrados a Pastores antes de ser enviado aos campos missionários, isso facilitaria e muito a missão deles. Teriam muito mais autonomia e um melhor rendimento e um relacionamento distinto com os Pastores nativos.

Os Pastores nativos querem saber qual é o cargo ministerial que exerce o missionário? Qual é o Ministério da procedência dele? Essas perguntas acontecem tão logo que os missionários se derem a conhecer no país da sua missão. Se o missionário for um simples diácono, o interesse do Pastor nativo pelo missionário poderá decair. Missionários que chegaram ao campo com título de diácono receberam até discriminações. Eu fui ao Chile como Presbítero da AD e quando cheguei lá descobri que Presbítero para as igrejas pentecostais é o maior cargo que existe, no Chile existe três cargos interessantes: Presbítero Pastor, Pastor Evangelista e Pastor Diácono.

A igreja AD é a que mais envia missionários sem títulos eclesiásticos, como que estão fazendo uma prova para ver se os missionários enviados darão certos ou não. Dependendo do êxito dos missionários no campo, eles serão consagrados como um prêmio para eles. Missionários precisam ser Pastores por necessidade da obra e não por prêmios. Não deveriam fazer esperarem um período extenso de prova.Interpreta-se que aqueles simples missionários foram valentes, obedientes e sacrificados e como obtiveram bons resultados nos campos, serão consagrados.

Muitos missionários diáconos são oferecidos aos Pastores nativos como mais um para carregar a pasta do Pastor, como mais um para varrer as calçadas e limpar os banheiros dos templos. Tudo isso é preciso ser feito, limpar banheiros, carregar cadeiras, mas não como um criado, servente e peão serviçal.

Em todo o tempo que fui Pastor no Chile colocava as mãos na massa, em carrinhos de mão, em pincéis para pintar o templo, em latas da cera para encerar a casa do Senhor. Em vassoura para varrer até o pátio da igreja, e muitas outras atividades braçais das quais eu sempre fiz. Quem for ao campo missionário apenas com a intenção de fazer um trampolim para ser consagrado, estará cometendo uma falta grave da ética pastoral.

2. Não Irão ao Campo de Missões Solteiro

Se fossem enviados apenas missionários casados, evitariam envolvimentos sentimentais com os nativos. Se todos fossem casados teriam maiores liberdades no momento de fazerem as visitas pastorais. Ainda que sejam estabelecidas regras de que missionários solteiros não poderão abordar pessoas casadas em suas visitas ou que estivessem sozinhas nas casas, sempre estará à possibilidade da tentação passar a perna, dar o cano e ludibriar.

Um missionário homem não poderá visitar mulheres solteiras ou casadas que estejam em casa sozinhas. Em vista disso, missionários que são solteiros e estão se projetando para irem para as missões, casando-se antes, terão maiores seguranças para os seus Ministérios.

Casados se fortalecem mais na hora da saudade e dos problemas que irão passar. Como diz o pregador de Eclesiastes, dormir dois juntos, se aquecem mutuamente. Dividem-se as tarefas na igreja. Casados têm maior pureza sexual. Casados podem se hospedar em casas de irmãos solteiros. (Eclesiastes 4.9-12) “É melhor ter companhia do que estar sozinho, porque maior é a recompensa do trabalho de duas pessoas. Se um cair, o amigo pode ajudá-lo a levantar-se. Mas pobre do homem que cai e não tem quem o ajude a levantar-se! Se dois dormirem juntos, vão manter-se aquecidos. Como, porém, manter-se aquecido sozinho? Um homem sozinho pode ser vencido, mas dois conseguem defender-se. Um cordão de três dobras não se rompe com facilidade”.

O maior número de regressos prematuros de missionários dos diferentes campos é na sua maioria solteiros, 44% indicam as pesquisas. Quase a metade, isso é uma cifra muito alta, precisamos rever examinar e corrigir este contratempo, para que não haja tantos retornos malogrados, precoce e frustrados.

3. Não se Envolverão Com Profetas Velhos

Não estou generalizando, mas, missionários que sofreram no tempo da sua missão, quando voltam e tem responsabilidades na igreja local sobre os missionários em exercício, acabam cometendo os mesmos erros, tratando os missionários por eles liderados, com sofrimento, menosprezo e desdém. Pagando na mesma moeda.

Já cheguei a dizer que, visitar uma igreja onde o Pastor foi missionário, a possibilidade de sair de lá sem alguma oferta de amor, é muito grande. Já estive em várias igrejas dessas, inclusive de Pastores que trabalhamos no mesmo país, sabe o que o Pastor fez? Para evitar dar uma oferta missionária no momento da motivação, o Pastor disse: “Vamos pedir ao missionário Teófilo Karkle que volte aqui em outra oportunidade e então faremos uma oferta missionária generosa“.A igreja estava repleta no primeiro dia, não precisava adiar.

Não existem dias ruins para fazer ofertas missionárias onde flui o amor. Também esse dia nunca chegou, por que eu já estava de regresso para o Chile. A desculpa do aleijado é as muletas. Os veteranos que se encaixam aqui dentro deste erro estão cheios de indolências para com os novos missionários.

Missionários que regressaram das missões e receberam a oportunidade de liderarem os departamentos missionários de suas igrejas se esqueceram dos seus apertos e sofrimentos, tão logo que afrouxaram a corda. Na hora de enviarem os salários aos missionários atuais sobre a responsabilidade deles, esses salários, na maioria das vezes chegaram a ser maculados pelo atraso, pela diminuição, pela postergação, não tendo um dia exato para ser depositado.

Os missionários sofrem no campo, por causa destes descuidos, às vezes já está faltando comida, as contas básicas de luz, água, telefone e gás, estão sobre a mesa fazendo pilha. O bujão de gás funcionando apenas no cheiro, a luz ameaçada pelo corte, por não estar paga a conta, e o dinheiro ainda está nos cofres das igrejas de origem. Encontro tudo isso a mais grave falta de consideração, deferência e respeito.

Sempre será melhor uma pessoa nova, para cuidar do departamento de missões, irmãos ou irmãs que amem a obra missionária, pois eles se esforçarão em fazer o melhor para atender bem os missionários em campo. Mesmo que eles não tenham experiências com a obra missionária, eles irão esforçar-se para pesquisar, adquirir conhecimento, e para mostrar serviço, serão pontuais com os compromissos de enviar dinheiro e de toda a manutenção que as famílias missionárias necessitarem.

4. Não Trabalharão Tocando Trombetas

Vejam uma exagerada comparação que vou fazer aqui, quase gritante, para ver se podemos reformar este pecado, com respeito aos pregadores dos congressos de missões. Vou começar colocando como exemplo um congresso de cirurgia plástica, onde serão contratados os melhores expositores como expertises na matéria de cirurgias plásticas. Imagine se fosse você que tivesse a responsabilidade de contratar algum médico palestrante para o congresso de cirurgia plástica? Você não poderia convidar qualquer um, mas os que tivessem as melhores competências.

Pois bem, um congresso de cirurgia plástica, não pode ser palestrado por enfermeiros, não é verdade? Para que um congresso de cirurgia plástica tenha êxito completo, desejado, os palestrantes não poderiam ser enfermeiros. A maneira correta seria contratar as maiores autoridades do Brasil ou do exterior que dominam este tema.

As expectativas de todos os cirurgiões plásticos estariam na ordem do dia neste congresso, para aprimorar novas técnicas, conhecer o que há de novo na ciência de cirurgias ou simplesmente para atualizar conhecimentos existentes. Pois é, em missões, já observasse que não são os missionários que pregam ou que ministram ou que ditam os workshops?

O erro grave está aqui: são trazidos “pregadores profissionais”, que jamais estiveram nos campos missionários, que não entendem absolutamente nada de missões. Eles misturam técnicas de persuasão, manipulação de auditório, com a Palavra de Deus. Nem daria para dizer que pessoas assim são pregadores do Evangelho, e na maioria das vezes o “assunto missão”, fica de fora.

Esses camaradas atrevem-se arrancar ofertas com quatro dígitos, tipo R$ 1.000 (mil reais) por pessoa, chegam a exaurir os ouvintes de tanto sugar. Estas ofertas estipuladas chegam ao limite da extorsão, chantagem e vigarismo. Eu chamo esse tipo de oferta do desespero, pois a entidade em questão teria tantas coisas para manter, para sustentar a maquinaria administrativa que chegam a cair no desespero e na manipulação das ofertas colocando valores altíssimos como meta.

“Quem vai dar mil reais aqui?” É o que se ouve claramente nestes congressos do desespero econômico, não que eu esteja lá no meio, mas como eles televisionam tudo, isso é o que vejo. São verdadeiras apelações, pois a parafernália necessita juntar milhões de doações, pelo menos é isso o que mais transparece nas gravações dos cultos online. Esse tipo de desespero abafa o gemido das pessoas que ainda não conheceram a Cristo. Outros ficam apenas no receber poder e mais poder, esquecendo-se por completo que o propósito de um congresso missionário deve ser para criar consciência da carência do mundo sem Cristo.

Por conseguinte, fazem muitos alaridos com decibéis ensurdecedores, poluem os auditórios com tantas imagens, e os locutores competem entre si, quem dará o maior berro. Como ficam os gemidos das almas que estão longe de tudo isso, sem conhecer o Evangelho puro e verdadeiro de Cristo? (Lamentações 1.11 e 12) “Todo o seu povo se lamenta enquanto vai à busca de pão; para sobreviverem, trocam os tesouros por comida… Vocês não se comovem todos vocês que passam por aqui?”

5. Não Tomarão Privilégios de Peixinhos

Jesus chamou seus primeiros discípulos, nas praias da Galiléia, aqueles homens tinham como profissão serem pescadores de peixes. Jesus os convida para que o siga, incumbe uma tarefa quase parecida, a de serem pescadores de almas.

Jesus continua chamando missionários dos lugares mais incríveis da terra, lugares que nem aparecem nos mapas, pessoas com poucos recursos, para atarefa mais importante da terra, pescar vidas. Nesta pescaria não existem apetrechos convencionais, mas sim o poder do Espírito Santo.

Em contrapartida, se apresentam nos escritórios, para serem missionários, alguns de lugares bem conhecidos nos mapas, com recursos econômicos e que são verdadeiros “peixinhos”. Esses missionários “filhos do papai” cheios de oportunidades, contatos e padrinhos, se tornam os favoritos de certos Pastores e recebem mais privilégios na hora de serem enviados aos campos. Eles não são enviados para Angola, mas para Inglaterra. Eles não recebem roupas usadas, mas grifes importadas.

São missionários “crus”, (com s, não com z) não dá para perceber que tiveram uma chamada missionária, não entendem nada de serem pescadores de almas, o que importa e prevalece neles é que são “peixinhos”.

Esses missionários “filhões” recebem muitas regalias nas suas missões, até bolo de aniversário eles recebem por Sedex. Quando os missionários “filhões” ficam estressados nos campos, são permitidos e subsidiados afazerem viagens de descanso com todas as regalias de um filho do rei: jatinhos, jantares e jacuzzi. O campo missionário deles não é da cor amarelada do trigo que espera a colheita, mas da cor verde das notas de muitos Dólares.

O velho Eli, antes de morrer, foi entronizando seus “filhões” para assumir a sucessão, e sentar à cadeira vermelha de alto encosto. Na maioria das vezes estes “filhões”, não têm chamado de Deus, nem possuem os dons do Espírito Santo, apenas foram tomando para si muitas honras. (Hebreus 5.4) “Ninguém toma esta honra para si mesmo, mas deve ser chamado por Deus, como de fato o foi Arão“.

2. Não Participarão de Meninices

Meninice é fazer coisinhas de criança em ambiente de adultos, darem voltinhas, jogar lencinhos, fazer sapateios, dar rodeios e o pior fazer afirmações extras bíblicas como sendo bíblicas. Como que o pregador está em êxtase, sem condições de raciocínio onde a massa é levada ao nível da histeria, comportamento caracterizado por excessiva emotividade.

Meninice é fazer coisas sem peso, sem responsabilidade e sem maturidade, apenas puras emoções. Somos seres emocionais e as missões nos empolgam, mas quando as reações emocionais são exageradas, se tornam meninices, criancices e fanatismos.

7. Não Replicarão as Mesmices de Outros

Existem muitas pessoas fazendo missões, usando uma prática pouco elegante, criativa e chamativa, conhecida como a mesmice. Mas o que é a mesmice em missões? É fazer as mesmas coisas que todos fazem e esperar resultados extraordinários. Começam criando uma secretaria de missões e não têm missionários. Fazem ofertas missionárias com destino local. Convidam pregadores para falar de missões sem competência, que nunca foram ao campo e seu coração não estão inflamados por missões.

Os congressos de missões são copiados de um Pastor para outro, fazem cartazes, anunciando preletores e cantores, que não evoluíram para as missões. Congressos sem conteúdo missionário, sem novidade. Pagam copiosos cachês a pregadores e cantores estrelas Gospel e missionários não são abençoados como se deveriam.

Fazem milhares de carnês de missões que chegam a perder até a validade. A cantina missionária não sai do lugar, ninguém coopera. Os organizadores sem inovação recebem poderes dos Pastores, mas trabalham com o freio de mão puxado, entregam poder e não tem liberdade.

Tem muitos Pastores e promotores de missões, fazendo missões de maneira repetitiva, monótona e na mesmice, não sendo capazes de criar nada novo e ter um estilo específico. Copiam os congressos, as faixas, os cultos, as cantinas, as secretarias, e os erros, plagiam as pregações e logo replicam em suas igrejas.

Fazem cultos de missões só para arrecadar mais uma oferta que fica nos cofres locais. Convidam algum missionário apenas para incentivar a igreja a contribuir, mas terminam atando a boca do boi que debulhou naquele culto, não abençoando a vida do missionário pregador com a oferta que foi levantada. (Deuteronômio 25.4) “Não amordacem o boi enquanto está debulhando o cereal”.

8. Não Receberão Títulos de Carinho

Dentro das igrejas e nas redes sociais, abundam missionários e missionários locais chamados assim por carinho e não por função, legalidade e experiência. Escrever ou falar o título missionário não há nenhuma diferença se ele é internacional ou nacional, profissional ou amador, transcultural ou local, mas eles precisam ser missionários de fato e não de carinho, gentileza ou agrado.

Criei uma definição bastante abrangente para missionários internacionais: são aqueles que cruzam fronteiras, aprendem um novo idioma e se adaptam a uma nova cultura. Vivem de missões, fazem a obra de um Evangelista e conduzem o rebanho do Senhor como bons Pastores. Já a definição de missionários locais, que não sofreram nenhum choque cultural, idiomático e nem climático, não se pode dar a mesma conotação que aos internacionais. Até suas comunicações com a base ou com a igreja são diferentes, em qualquer dificuldade, eles tem a facilidade de fazer ligações DDD através do celular, sem gastar muito dinheiro como os missionários que fazem ligações DDI – Discagem Direta Internacional.

Existem muitas definições em voga, mas missionários são apenas aquelas pessoas especiais que são enviadas, e aqueles que vão de maneira autônoma, com propósitos de evangelizarem, fora disso, restam aqueles que são chamados de missionário apenas carinhosamente.

Existem Ministérios como a AD que não consagram pastoras, mas consagram missionárias, e por isso existem muitas mulheres de Pastores que mandam neles, por que elas são “Apostolisas”, pois esse é o significado de missionárias. Assim como o feminino de profeta é profetisa o feminino de Apóstolo é Apostolisa.

Títulos carinhosos assim só ocorrem dentro das igrejas evangélicas, mas não encontro títulos carinhosos dentro das profissões seculares. Até vejo alguns chamando outros de doutores, mas não tem benemérito nenhum, apenas uma brincadeira. A esposa do padeiro que não entende nada de pão, que nunca fez uma massa, não poderá ser chamada carinhosamente pelo título que tem o marido. A esposa do açougueiro não é necessariamente é chamada de açogueira também. Em geral, entre o marido e a mulher existem duas profissões diferentes.

No Chile existem muitas pastoras de carinho, alimentadas pelo respeito do povo, mas totalmente despreparadas para realizar uma cerimônia, fazer uma pregação profunda e ter autoridade para a defesa da fé. Sou partidário de preparar, consagrar e enviar o casal, para que exerçam juntas, as mesmas funções e tenham os mesmos títulos, por questões de legalidade, autoridade e não apenas por carinho.

9. Não Poderão Dar Ouvidos a Piadinhas

Com muita frequência ouvi pessoas fazendo piadinhas dos missionários e tratando eles com desprezo, como pessoas inferiores ou não merecedoras de bons tratos e de boas coisas. As piadas diante das comidas boas, enquanto alguns comem da melhor comida, se dizem que os missionários comem qualquer coisa. Diante de roupas boas e de péssima qualidade, se dizem que eles se vestem de qualquer tipo. Ainda na falta de boas camas, ou de colchões, se dizem que eles dormem em qualquer lugar.

Missionários comeriam qualquer coisa, se vestiriam de roupas inferiores e dormiriam no chão, quando a necessidade obriga. Mas não quando são provocados com piadinhas que fazem certos engraçadinhos, usando este tipo de atitude e de menosprezo.

Observo que em alguns eventos massivos das igrejas, os missionários são tratados com descriminações. Eles são colocados para esperar no final da fila do almoço. São obrigados a lavar os banheiros das igrejas para que elas não tenham despesas com zeladoria. Obrigam a todo tipo de trabalhos, pois não contratam serviço para este fim, não que eu seja contra, fazer este tipo de trabalho para a igreja ou em eventos, estou referindo-me à exploração dos missionários.

Se eles não fazem o povo comenta imediatamente. Olha só o fulano que se diz missionário, nem colocou a mão para lavar a louça ou limpar os banheiros. Em outros ambientes eles são obrigados a lavar os “carrões” dos Pastores.

Essa forma de tratar os missionários deu origem a conceitos de que os verdadeiros servos do Senhor são aqueles que sofrem calados, são servos obedientes, jamais levantam a voz, mas essa crença forçada, não está bem, nem deve continuar em meio ao povo de Deus. Sou a favor de que todos os irmãos sejam convocados para ajudar ou então terceirizem os serviços que se apresentam em um grande evento.

Naquela escala de honra que o Apóstolo Paulo estabeleceu na carta aos Efésios, o missionário vem na frente dos quatros Ministérios restantes, basta entender que a definição etimológica da palavra “Apóstolo” é nada mais que um enviado, por tanto, missionário. (Efésios 4.11) “Ele designou alguns para Apóstolos, outros para profetas, outros para Evangelistas, e outros para Pastores e mestres“. Outra coisa interessante a Bíblia é a quantidade de vezes que menciona cada título: menciona 30 vezes a palavra Apóstolos, 19 vezes Presbíteros, 18 vezes discípulos, 5 vezes Bispos, 4 vezes Diáconos, 3 vezes Evangelistas e 2 vezes Pastores.

10. Não se Apropriarão de Obras de Terceiros

Com o passar dos anos em missão no Chile, começaram a aparecer pessoas em meu caminho que se diziam “pastores” que estavam preocupados comigo pelo meu sustento e queriam ajudar-me, mas no fundo tinham segundas intenções, queriam se “aproveitar” das circunstâncias para ganhar dinheiro em meu nome.

Certa oportunidade, um “pastor” pediu emprestada minha câmera fotográfica, daquelas que usava filme, e começou a fotografar a igreja que eu estava pastoreando. Depois que ele tinha tirado as fotos, essa pessoa declarou sua intenção em me ajudar, que iria mostrar as fotos para algumas pessoas a fim de conseguir sustento para mim.

A verdadeira intenção deste personagem era sair contando pelo Brasil afora que tinha um missionário no Chile e que precisava levantar recursos em meu nome. Quando descobri essa trama, essa tramoia me deu um pavor, porém busquei a maneira de resgatar o filme quando estivesse completo. Para isso me prontifiquei em levar o filme para revelar as fotos, só que na hora de entregar as fotos, não entreguei as fotos tiradas com as segundas intenções na minha igreja.

Hoje com propósito de orientar a todos os missionários, escrevo várias advertências, para que eles não façam e nem deixem que outros façam em seus nomes. Já aconteceu na Argentina com um “missionário brasileiro” de fotografar obras de terceiros, imprimir as fotos, colocar num álbum e sair divulgando, mostrando e exibindo como sendo obra dele.

Outros tipos mais astutos saem pelo mundo cadastrando obreiros sem salário para depois fazerem campanhas usando os nomes e as obras daqueles pobres obreiros. Postando as imagens e as necessidades daquela realidade. Judicialmente isto é um delito, se chama estelionato. Isso pode dar cadeia, além de feio, quem faz isso é muito maquiavélico, picareta e desonesto.

No Chile houve um “pastor nativo” que fazia fotos de crianças que estavam brincando nas ruas de um bairro pobre. Ele até maquiava aquelas crianças com a poeira do chão, para dar uma sensação de crianças abandonadas. Ele queria dar a entender que aquelas crianças viviam nas ruas, para conseguir possíveis “adoções” tipo um real por dia para cada criança ou 30 reais por mês.

Se alguma pessoa mal-intencionada chegar a oferecer terceirização, evitem estas propostas em nome de Jesus, pois isso não provém de Deus, mas é coisa do maligno. Os missionários têm autoridade, moral e credibilidade suficiente para realizarem suas campanhas missionárias sem atravessadores, sem terceirizações e sem aproveitadores. O Apóstolo Paulo condena essa falcatrua enfaticamente em sua segunda carta aos Coríntios. (2 Coríntios 10.15) “Da mesma forma, não vamos além de nossos limites, gloriando-nos de trabalhos que outros fizeram“.

Queridos missionários sejam conhecidos por serem honestos, fiéis e honrados, trabalhem com fotos de sua autoria. Jamais sintam inveja de outros que prosperaram. Não se apossem dos trabalhos alheios. Não tossem trombeta, não contribuam para aparecerem.

11. Não se Prestarão Para Serem Testas de Ferro

Tem alguns lugares por aí que fazem dos missionários como testas de ferro, que significa este ditado popular? O termo “testa de ferro” e “laranja” designam, na linguagem popular, a pessoa que intermedeia transações financeiras fraudulentas, emprestando seu nome, documentos ou conta bancária para ocultar a identidade de quem a contrata. Essa corrupção também chegou a missões, certos “missionários” se prestam como para serem adotados, mas nunca enviados, eles sempre estarão presente em certos recintos, como necessitando de adoção, mas é uma adoção fraudulenta.

Outros tantos fazem uma lista em forma de catálogo, com os nomes e as fotos 3 x 4 dos “obreiros” para serem adotados, logo divulgam estes documentos para possíveis “adoções”. Nestes catálogos os candidatos, maiormente são nativos de alguma nação estrangeira, pobre e longínqua. A “nação” escolhida nesta fraude receberia as doações a ser repartido através de uma pessoa, como sendo um administrador brasileiro ou então um nativo com conhecimento do Brasil e do idioma português.

12. Não se Fingirão Como Sendo Pobres

Já ouvi uma vez um missionário relatando fora do púlpito, que ele usava se vestir como pobre, colocando um terno bem surrado, tirando o relógio do pulso, para que os irmãos ficassem com pena dele e ajudassem mais abundantemente na hora da oferta. Esse camarada também dizia, que se ele fosse ao púlpito sem o relógio era bem provável que ele ganharia algum relógio de presente, e ainda fazia questão de contar no meio da pregação que estava sem relógio. Essa atitude mentirosa é uma abominação diante de Deus. Missionários que atuam como sendo pobres, não merecem o título que tem, não merecem subir em nenhum púlpito para pregar, casos assim deveriam ser punidos em todos os ambientes evangélicos.

Com estas tristes afirmações eu estou advertindo aos nobres colegas missionários que não se vistam como pobres. Não falem como pobres. Não fiquem parados nas portas das igrejas como pobres. Não peçam nenhuma ajuda como pobre. Não cubram a honradez com trapos de engano e da mentira.

13. Não se Escandalizarão Com o Moderno

Os missionários não podem ignorar a realidade do mundo moderno no qual vivem, nem ficar de fora do mundo virtual das comunicações. Eles precisam fazer parte das redes sociais, dos fóruns e dos congressos online, tirando proveito das tecnologias, vendo nelas as possibilidades da evangelização. Todos precisam estar nas redes sociais mais populares tais como: Facebook, Twitter, Google plus, Linkedin, Instagram. Também utilizar os blogues, e construir suas páginas webs.

Os missionários estando no terreno das missões seriam interessantes eles acompanharem pela Internet as notícias missionárias de outros campos. Curtirem, seguirem suas fanpages e participarem de grupos de missões dentro do Facebook.

Os missionários precisam ler tudo o que for possível do Mundo Missionário, artigos de conteúdo, matérias de evangelismo, estratégias de crescimento e notícias de missões, filtrando aqueles assuntos de pouca relevância. Aprendam a aplicar as técnicas de filtros para estabelecer prioridades, diante de um vasto universo de informações, deixando de lado as coisas menos importantes.

Para descobrir páginas e grupos de missões dentro do Facebook, digitem a palavra “missões” naquela janela de pesquisa, mas ao invés de clicar na tecla “enter“, cliquem na lupa que está na barra de buscas, com isso o Facebook listará todas as possíveis páginas, grupos e organizações que contenha a palavra missões. O mesmo servirá para as palavras: missionária e missionário, como também secretaria de missões e departamento missionário.

Os missionários devem especializar-se em missões, em geral cada pregador do Evangelho deveria pregar apenas um tema durante seu Ministério. Os pregadores deveriam escolher um grande tema como: missões, profecias, Israel, família, mulheres, cura interior, libertação, finanças, liderança, sabedoria, adoração, oração, batismo com o Espírito Santo, etc. É óbvio que um Pastor, na sua igreja local terá que ministrar todos os temas segundo as necessidades da sua igreja, para que ela seja sóbria, saudável e sólida, mas também precisam ter um tema dominante, onde ele mostre sua expertise.

Uma vez conheci na cidade de Joinville – SC, uma antropóloga, especializada na cultura guarani, seu ambiente de trabalho girava em torno dos índios guaranis. Nas paredes havia artesanatos, instrumentos musicais e muitas penas coloridas de pássaros. Observei também objetos arqueológicos de escavações sobre as estantes. Na biblioteca exibia muitos livros, e sobre a escrivania estava cheio de fotografias. Ela respirava e vivia essa cultura, falava o guarani e escreveu um livro sobre eles.

Aproveitem a modernidade para assistir bons congressos online de missões diretamente do conforto da sua casa em tempo real, novamente aplicando filtros, para não ficar assistindo qualquer coisa, mas sim ocupar o tempo no que é edificante, no que é relevante e no que é substancial. Se algum congresso de missões não tiver transmissão online, sem dúvida, os organizadores desconhecem o poder deste meio massivo de comunicação ou então, não transmitem online, para que as pessoas participem de forma presencial, pois assim eles conseguem recolher as doações.

Os missionários quando aprenderem a desfrutarem de congressos de missões online economizará tempo com deslocamentos, dinheiro com passagens aéreas e terrestres, dinheiro com hospedagens em hotéis e dinheiro com alimentações.

Está entre meus sonhos realizar o congresso COMISSÕES – Congressos Online de Missões 1.0, na semelhança do CONAED – Congresso Nacional de Empreendedores Digitais, que participei nas suas duas últimas versões. Este congresso disponibilizou 30 especialistas, 30 temas diferente em empreendedorismo digital. As transmissões foram de excelente qualidade. Assim faremos nossos congressos COMISSÕES com excelência, primazia e graça.

14. Não Trabalharão Isolados nas Missões

Existem vários missionários trabalhando de maneira isolada, pela falta de recursos ou de tecnologia onde missionam, às vezes não tem energia elétrica, asfalto, mas mesmo assim eles correm atrás de recursos modernos para adquirir, reciclar e atualizar seus acontecimentos.

Mas existem missionários que se isolam, por ignorância, ciúme ou por terem uma mente fechada. Aqueles que dizem ter sã doutrina, não se misturam, encontrando que os servos de outras denominações são rivais na conquista da evangelização. A rivalidade deve ser contra o reino das trevas e não contra o Reino de Deus.

Outros missionários se isolam por prudência, essa prudência é um tipo de medo de participar em eventos de terceiros, para não perder os membros de suas congregações, mas quando as ovelhas têm pastos verdes em abundância, não estarão olhando para os pastos verdes dos vizinhos.

Missionários trabalhando sozinhos não é novidade, às vezes é apenas o casal, ainda com poucos recursos econômicos, sem obreiros nativos para lhes ajudarem, sem dizimistas e sem camaradagens de outros parceiros. Essas dificuldades são fortes, pessoas sem chamada e visão missionária jamais aceitariam estar debaixo destas circunstâncias.

Lamento quando vejo missionários puxando brasa para o seu “assado denominacional” e não para a expansão do Reino de Deus na terra, cada um levando a bandeira da sua denominação e não a bandeira da paz de Deus que excede todo o entendimento.

Para evitar isolamentos, não deveriam enviar 30 missionários para 30 nações diferentes, isso só espalha os trabalhadores e os resultados serão pequenos em cada nação, pois assim todos os 30 estariam trabalhando sozinhos. Se alguma igreja pretender enviar 30 evangelizadores deveria mantê-los em 30 cidades de uma mesma nação. Orientando os Apóstolos para trabalharem confederados, alinhados, debaixo de uma mesma visão. Juntando-se uma vez ao mês em um rodízio de igrejas para tomar a Ceia do Senhor, compartir as vitórias e fortalecer os propósitos.

Pregadores trabalhando unidos, uns perto dos outros, reforçam muito a obra. Quando algum deles vier apresentar sintomas de fraqueza, em alguma reunião de avaliação, poderiam reformar aquele ponto fraco e o missionário seria restaurado. Em reuniões como esta serviria para reforçar os acordos, renovar as estratégias e fazer deslanchar as metas.

Gideão era apenas um missionário, dentro de um lagar escondido, salvando um pouco de trigo para o sustento da sua família, mas sua história termina com 300 homens concentrados em um mesmo foco, com um mesmo objetivo e atuando em um mesmo território de batalha. (Juízes 7.17 e 18) “Observem-me. Façam o que eu fizer. Quando eu chegar à extremidade do acampamento, façam o que eu fizer. Quando eu e todos os que estiverem comigo tocarmos as nossas trombetas ao redor do acampamento, toquem as suas, e gritem: pelo Senhor e por Gideão!”

15. Não Abandonarão a Obra Missionária

Abandonar a obra é muito fácil, mas é coisa de covarde. Missionários não podem deixar que as frustrações, as fadigas e as fofocas, forcem a abandonar a obra de Deus. (Provérbios 18.9) “Quem relaxa em seu trabalho é irmão do que o destrói.” Complete o Ministério que Jesus te confiou de testemunhar da graça de Deus. (Atos 20.24) “Todavia, não me importo, nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, se tão somente puder terminar a corrida e completar o Ministério que o Senhor Jesus me confiou, de testemunhar do Evangelho da graça de Deus“.

Paulo menciona para Timóteo que um obreiro chamado Demas, havia abandonado a obra, e outros obreiros tinham sido enviados a outras partes e ele se sentia só. (2 Timóteo 4.9-12) “Procure vir logo ao meu encontro, pois Demas, amando este mundo, abandonou-me e foi para Tessalônica…”.

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