9 DICAS PARA MISSIONÁRIOS COM FALTA DE RECURSOS

Missionários, diante das necessidades causadas pela falta de recursos econômicos e outros recursos, às possibilidades de regressarem aos seus países de origem não será uma boa solução. Vejamos o que se pode ser aplicado neste caso. Muitos daqueles que tomaram estas atitudes de voltarem prematuramente, se arrependeram tão logo que pisaram em solo nacional, mas os que insistiram em continuar com a obra, foram surpreendidos com as mãos poderosas de Deus operando milagres.

A falta de recursos financeiros na vida dos missionários é muito comum, poderiam chegar a faltar até mesmo para aqueles que têm salários garantidos, porém os obreiros natos darão um jeito de sobreviverem para estar naquilo que Deus quer, naquilo que sempre sonharam e naquilo que vale a pena permanecer. Mesmo na falta de recursos, não conseguirão separar despesas pessoais com as despesas da igreja que cuidam. Eles não dormirão bem até que as necessidades das suas igrejas sejam supridas.

1. Se Chegar a Faltar Recursos Locomotivos

É comum faltar recursos locomotivos para os missionários realizarem seus traslados emergenciais, transporte a serviço da igreja e até mesmo para realizar seus passeios. No início da minha missão em Macul – Chile. Na necessidade de construir bancos de madeira para a igreja precisei sair para comprar madeira a pé puxando um carretão, na companhia de um irmão de idade avançada, chamado Manuel Rozas, caminhamos duas horas desde a Rotonda lo Plaza (rótula) até no bairro Franklin, para ir comprar madeiras para construirmos 20 bancos para a igreja.

Em 2001 ganhei uma bicicleta Caloi, verde, nova, em sua caixa original, de uns irmãos do Brasil, com ela me transportava, carregava bujão de gás, sacolas de verduras, até que ela foi roubada da frente da igreja. Só depois de seis anos em missões consegui comprar um furgão Kia Besta 12 passageiros, pois recebi uma oferta especial de amor com uma história muito linda, no valor US$ 4.000 de um irmão da congregação AD, de um bairro do Rio de Janeiro chamado Prainha.

2. Se Chegar a Faltar Recursos Sonoros

A falta de recursos sonoros é outra dificuldade que enfrenta os missionários, pois não haverá dinheiro disponível nos seus orçamentos. Em geral as igrejas brasileiras apenas enviam os missionários, mas são enviados com as mãos vazias, eles não ganham um carro ou uma camioneta para se locomoverem no país da sua missão. Não ganham caixas de som, microfones, cadeiras, púlpitos, letreiros, isso tudo está no coração deles e ficará nas costas deles para adquirirem com o passar dos tempos, cada uma dará um jeito.

Primitivamente eu fazia uso de um megafone com oito pilhas não recarregáveis para realizar o serviço de evangelização nas ruas, algumas vezes o vento a favor colaborava de levar o som até duas quadras de distância, mas gastava muito dinheiro com pilhas, tamanho “A”. Depois comprei um pequeno som que podia ser ligado na luz ou na bateria. Esse aparelho tinha um pequeno reprodutor de cassete com saída para dois microfones, sem complexidades para usar.

Por último consegui comprar um som profissional, com duas caixas grandes de som, uma mesa com oito canais, com um tape-deck duplo que gravava cassetes das pregações que fazia, mas isso aconteceu quase 10 anos depois que estava no Chile. As igrejas deveriam mandar seus missionários equipados com tudo que precisassem para seus Ministérios, para realizar cultos e campanhas.

3. Se Chegar a Faltar Recursos Mobiliários

De todas as faltas de recursos, os mobiliários é a mais notável das carências, são as que mais os missionários fazem adaptações improvisadas para poder Viver de Missões, caixotes servem de bancos, portas servem de mesas, cabo de vassoura de guarda-roupa, algumas invenções são feitas de pau a pique mesmo.

Os missionários têm que se virar para engenhar, enjambrar e construir seus móveis para poder realizar a obra do Senhor, não importando o designer, com tanto que possa remediar algumas necessidades emergenciais principalmente no início da missão. No meu tempo de missão no Chile, eu usei a criatividade, reciclando muitas coisas, deixando tudo nos trinques, ainda que feito à mão e com simplicidade.

O pessoal das igrejas brasileiras não tem ideia dos métodos mais engenhosos que os missionários utilizam durante a sua missão, tratando de atender alguma necessidade. Lembro-me que consegui fazer um balcão para colocar uma pia de lavar louça, cortei alguns sarrafos finos de madeira para a carcaça do balcão usando apenas uma faca de cozinha com serra e um martelo, a faca fez o serviço do serrote perfeitamente.

Minha esposa Missionária Ivone Karkle no início da nossa missão colocava duas malas em posição vertical ao lado da cama, como dois criados mudos. Também colocava lençóis pendurados nas janelas como cortinas. Usava um pedaço de papelão na entrada da porta da casa no lugar do tapete para limpar os pés. Com o passar dos meses fomos melhorando, colocando as coisas adequadas no lugar de cada coisa improvisada.

Tenho conhecimento de uma família missionário americana, batista, que ao chegarem ao Chile, se estabeleceram num setor nobre da capital de Chile, e aproximadamente 40 dias depois chegou via marítima um contêiner com a mudança da família e o carro deles, bem grande por sinal.

Missionários assim, com mobiliárias prontas, rendem muito mais na sua missão, pois não precisarão correr atrás de móveis e de carro, ao contrário do que acontecem com a maioria dos missionários brasileiros. Tendo as mobílias necessárias de apoio para viverem comodamente, fica mais fácil de enfrentar as dificuldades espirituais que são naturais e trabalharão com maior esmero, alegria e capricho, sem a necessidade desta preocupação correndo atrás de móveis para organizar sua morada, pois a única preocupação que terão é correr atrás de pessoas para ganhar para Jesus.

4. Se Chegar a Faltar Recursos Econômicos

A chamada missionária desde o início vem acompanhada com poucos recursos econômicos, para que o missionário crie um vínculo de dependência de Deus, e se elimine todo ego de suficiência. Sempre gostei de dizer que quando os recursos econômicos são poucos, Deus terá um propósito de capacitação para os seus filhos, de fazê-los passarem por um curso de economia missionária, a fim de que sejam bons administradores da mordomia cristã.

Antes mesmo de irem aos campos Deus já estaria permitindo seus servos viverem experiências com a falta de dinheiro, preparando-os para a futura vida e experiência de Viver de Missões. Por tanto, não fiquem tristes, estimados missionários pela falta de dinheiro, em momentos assim intensifiquem suas orações.

Assim sendo, a falta de dinheiro não significa falta de chamada. A falta de dinheiro levará os missionários a confiarem mais em Deus e esperar totalmente por ele assim como fazem os grandes leões. (Salmos 104.21) “Os leões rugem a procura da presa, buscando de Deus o alimento“. Se grandes leões livres e experientes caçadores esperam em Deus seus alimentos, como não esperará os missionários no mesmo Deus que sustenta leões? Deus não somente alimenta os leões, ele também sustenta filhotes de corvos. (Jó 38.41) “Quem dá alimento aos corvos quando os seus filhotes clamam a Deus e vagueiam por falta de comida?”

Deus não só alimenta filhotes de corvos, mas também faz nascer lindas e multicoloridas flores, nos campos e nos lugares mais inusitados, como não vestirá os seus filhos. Que lindo é saber que um Deus tão grande dedica-se em vestir os lírios com cores vivas, lindas e surpreendentes! Como não vestirá seus servos que estão obedecendo a seu chamado? (Lucas 12.28) “Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, quanto mais vestirá vocês, homens de pequena fé!”

Satanás trabalhará de mangas arregaçadas para trazer desânimo na falta de recursos econômicos, mas não vale à pena perder a fé, a graça, e o empenho dando ouvido as suas artimanhas e sutilezas.

5. Se Chegar a Faltar Recursos Humanos

Para todas as outras atividades seculares existirão homens e mulheres em excedente, enquanto na área missionária há falta de recursos humanos é enorme. Jesus em pessoa falou na falta de recursos humanos, disse que era para orar pedindo a Deus para que enviasse obreiros. (Mateus 9.37,38) “Então disse aos seus discípulos: a seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Peçam, pois, ao Senhor da seara que envie trabalhadores para a sua seara“.

Ao organizar uma igreja missionária, haverá pelo menos a necessidade de 30 pessoas para encabeçar a diretoria e todos os Ministérios da igreja. Como se trata da obra missionária inicialmente não haverá tantas pessoas capacitadas, sendo assim, algumas pessoas teriam que assumirem vários cargos.

Em geral os Pastores missionários terão que realizar diversas funções ao mesmo tempo, em vista à falta de recursos humanos, limpar o templo, chegar primeiro para abrir a porta da igreja, acender as luzes, preparar o som. Cantar, ler a Bíblia, orar mais vezes, recolher a oferta, pregar, abençoar o povo, contar a oferta, fechar o templo.

6. Se Chegar a Faltar Recursos Criativos.

Conheço muitos missionários, que sempre trabalharam com uma impressionante criatividade, inventaram coisas para produzir iluminação, aquecimento, captação de água e produção de alimentos no período que estiveram em missões. Em outras ocasiões, que infelizmente presenciei onde alguns missionários não se esforçavam, nem para colocar um óleo na dobradiça da porta para não seguir rangendo. Lembrando que os soldados de Cristo não podem agir com falta de esmero, precisam entender que todos observam o empenho deles para que a obra avance com capricho, valentia e determinação.

Moramos 110 dias num sítio bem no pé da Cordilheira dos Andes, em um município chamado Peñalolen. Visto que onde estávamos não havia chuveiro elétrico, nem a gás. Então, veio uma ideia, peguei dois baldes de polietileno branco redondo e lavei bem, coloquei ao sol, cheio de água, bem tampado para esquentar a água para poder tomar nosso banho com água quentinha. Visto que onde estávamos não havia chuveiro elétrico, nem a gás. Mesmo no calor do verão chileno a água continua muito gelada principalmente durante a noite, tendo sempre muita pressão nas torneiras.

Muitos missionários inventam engenhocas na falta de recursos econômicos. Em vez de comprar prateleiras prontas, compram caixas de laranjas e fazem suas próprias prateleiras, tornando as caixas customizadas, ecológicas e econômicas, sem falar do designer lindo e moderno que proporcionam ao ambiente.

Ainda não li um artigo na Internet que diga assim: missionários captam água da chuva para ocupar em sua missão. Será você missionário que vive em partes áridas da terra que irá lançar este artigo inédito, insólito e extraordinário, provando com imagens sua genialidade no campo em missões?

7. Se Chegar a Faltar Recursos Acomodatícios

Missionários vivem na simplicidade no início de suas atividades, sei de alguns que transformaram caixas de papelão grande mesas para realizar suas refeições, se casais brasileiros fazem isso, quando são se casam, mesmo que tenham facilidades de créditos para adquirir uma mesa, como não farão os missionários que estão em terras estranhas, sem créditos e sem amigos para emprestar?

Na falta de recursos, as missionárias poderiam confeccionar suas roupas, para isso, é importante que elas tenham capacidades adquiridas na infância, no colégio ou em algum curso de costura para fabricarem suas roupas, fazendo suas famílias mais abrigadas e diminuindo os gastos com confecções de fábrica.

Na minha deuteromissão no Chile, minha esposa Missionária Ivone Karkle adquiriu uma máquina de costura onde ela realizava diversos trabalhos, cortinas, toalha de mesa, bainhas de calça, etc. Outras vezes, eu a via fazendo tricô e crochê, criando, caneleiras de lã,xales e luvas, por causa do frio que fazia em nossa missão.

No Chile existem lojas de roupas usadas que vêm da Europa e dos EUA, a baixo custo, roupas de inverno e de verão, de muito boa qualidade por sinal. Os missionários que vinham do sul do Chile, onde fazia maior frio, para adquirir estas roupas em Santiago.

Sabemos de alguns que fizeram suas camas de “paletes” forrados com pelegos de lã e colocando um colchão em cima para dormirem abrigados.

Missionários que queiram escrever suas engenhosidades podem enviar para mim, que terei o maior prazer de postar em nossas páginas do Mundo Missionário, para glorificar o nome do Senhor, não se esqueçam de enviar as fotos comprovando estes fatos arrojados, inovadores e revolucionários.

8. Se Chegar a Faltar Recursos Comunicacionais

Deus foi maravilhoso em todas as épocas da minha estadia no campo missionário. Inicialmente, meus recursos comunicacionais eram através do correio tradicional, cartas escritas com uma máquina de escrever. Enviava aos meus colaboradores, uma carta aberta ao mês, contando os milagres que Deus estava fazendo, e a partir do ano 1998 através da Internet quando obtive meu primeiro computador. Cheguei a alugar uma Caixa Postal na agência 21 de Santiago do Chile, o número da caixa era 14015, e todas as semanas eu passava para retiraras cartas que me chegavam do Brasil e os boletos das contas básicas de água e luz a serem pagos.

Eu estava no Chile quando surgiram às operadoras de telefones, chamado de “Carriers” cada empresa tinha um código de identificação 123, 155, 171 entre outras. Para ligar ao Brasil, se digitava o Carriers antes do DDI e do DDD. (Exemplo: 171-055-49) Em 1991 a ligação telefônica para o Brasil custava um dólar o minuto, mas com estes Carriers os preços despencaram, podia ligar à vontade pagando apenas R$ 0,50 por ligação e falava o tempo que quisesse, foi uma grande bênção.

Meu pai Harry Karkle estava vivendo seus últimos dias de vida, precisava viajar urgentemente para Florianópolis – SC, mas tive duas dificuldades: sem dinheiro para viajar, e sem espaço nos aviões assim tão de repente. Comentei via o Messenger da época, a necessidade de viajar com um pastor amigo no sul do Brasil, o qual imediatamente ligou para o meu telefone duas vezes, uma vez para pegar os dados para comprar a passagem e logo após alguns minutos para confirmar que a passagem já estava comprada.

Logo após a morte de meu pai em 2007, contrai o vírus da Leptospirose, uma doença infecciosa, febril, aguda, potencialmente grave, causada por uma bactéria chamada Leptospira, presente na urina de ratos. Fiquei 18 dias entre a vida e a morte, isolado na UTI do hospital Barros Luco. Só escapei com vida, pois Deus tinha um grande projeto comigo. Agradeço aqueles 36 irmãos que me visitaram e oraram por mim, principalmente ao irmão Ricardo Carrasco quem transladou para o hospital e Luiz Marchant, quem empurrou a minha cadeira de roda, pois demorei três semanas a voltar a caminhar, ele também transladou meu sangue para examinar num laboratório de última geração, fora do hospital.

Os missionários só não serão ajudados se eles não usarem os recursos de comunicação existentes, e se eles não entrarem em contatos com pessoas amigas, pois nestas horas existem amigos mais apegados que um irmão. (Provérbios 18.24).

9. Se Chegar a Faltar Recursos Linguísticos.

Missionários bem preparados com recursos linguísticos são bem mais aceitos, sucedidos e entendidos em todos os lugares. As igrejas deveriam investir previamente nas famílias missionárias que serão enviadas ao estrangeiro, fornecendo-lhes cursos de idiomas, principalmente inglês e espanhol, isso deveria ser uma regra da casa, uma condição e uma exigência para serem enviados aos campos de evangelização.

Eu não tive curso algum, mas em 90 dias vivendo no Chile, já estava falando o espanhol claramente, obvio que me esforcei ao máximo, e hoje posso afirmar que Deus me capacitou no domínio do idioma, foi um verdadeiro milagre ter acontecido isso em minha vida.

Minha próxima conquista será o reconhecimento internacional da Universidade Salamanca na Espanha, com o diploma DELE – Diploma Espanhol como Língua Estrangeira – Nível C2, este nível comprovará minha competência linguística do espanhol ao nível de Maestria. C2 é a categoria máxima da escala do Marco Comum Europeu de Referência para as línguas do Conselho da Europa.

As dificuldades serão grandes se chegar a faltar recurso linguístico aos missionários, a propagação do Evangelho não terá todos os efeitos desejados. Repara, se algum que ainda não domina bem o idioma espanhol sair para pregar ao ar livre, falando meio “portunhol”, (mistura de português com espanhol), o povo mais culto interpretará como um maluco precipitado.

Em uma determinada data um missionário gravou um vídeo pregando na rua, falando em portunhol, ainda ele não sabia que a palavra “pelo” deve ser dita em espanhol “por el”, pois “pelo” em espanhol significa cabelo, além disso o pelo era falado como cacoete, e repetidamente, quem ouviu este pregador na feira, no mínimo deve ter dado risadas. Mais ou menos se entenderia assim: “Você que me ouve nesta tarde e quer entrar (cabelo) caminho que é Jesus. (Cabelo) sangue de Jesus pode obter o perdão de pecados. Aceita a Jesus (cabelo) amor de Deus”.

Para quem é um autodidata nos recursos linguísticos, procurem memorizar palavras novas todos os dias, ampliar o vocabulário, descobrir macetes de como ir melhorando o idioma, pois o povo merece ouvir corretamente a pregação da palavra. Falem sozinhos em alta voz àquilo que for aprendendo. Escrevam as palavras novas. Copiem versículos, hinos, poesias ou receitas. Escrevam mensagens. Prestem atenção nas pessoas falando, ouça bem. É bom imitar o mesmo som que sai da boca dos nativos, para que aprendam a pronunciar.

Os missionários podem produzir qualquer tipo de som, cada som há uma parte específica da boca ou da garganta para emitir. No espanhol a letra “R” é pronunciada vibrando a língua, não como no Brasil que a letra “R” é pronunciada raspando a garganta. Um membro da minha igreja disse para mim: “Pastor pronuncie a palavra ovo, ‘Huevo’ em espanhol como colocando um ‘G’ na frente, ‘guevo’ para que soasse mais espanhol”.

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