POR QUE O TURISMO MISSIONÁRIO TEM CAUSADOS DESAGRADOS AOS MISSIONÁRIOS?

Fazer Missões requer residência e permanência entre o povo de uma nação estrangeira, esta permanência deve ser de pelo menos uns quatro semestres, isso mesmo, dois anos. Passar 20 a 30 dias em outro país, mesmo que visitando igrejas em formação e contribuir ali com pregações, cânticos e ofertas, não passa de um Turismo Missionário.

Quando recebíamos mensagens online de pessoas que se ofereciam ou pediam para visitar o Chile, país de nossa Missão ficávamos completamente assustado com esse tipo de proposta. O motivo que nos levava ao ponto do susto era que algumas amizades virtuais eram muito prematuras, para fazer uma proposta de uma visita missionária, nem tínhamos conhecimento prévio de certas pessoas interessadas em conhecer nossa obra.

Sem querer ofender a nenhuma pessoa interessada em viajar ao Campo Missionário para fazer Turismo, mas este tipo de viagem tem nos causados vários fatores desagradáveis.

Nossa contraproposta diante de um oferecimento de uma visita, sempre foi de colocar essa pessoa em oração. Com certeza, se Deus não tivesse no propósito de uma viagem dessa natureza, ele não permitiria a saída de pessoas assim com destino ao Campo de Missões.

1. Não podemos Misturar passeio com Missões.

Não deveríamos misturar passeio com Missões, as duas atividades são divergentes. Quem passeia busca lugares lindos, boas hospedagens, boas alimentações. E quem está em Missões, vive em outra realidade do turista, vive em outro estremo, o lugar é feio, a hospedagem simples, a comida restringida.

Tenho ouvido varias pessoas falar e mostrar as fotos nas Redes Sociais de seus Turismos Missionários.

Já contemplei também pessoas oferecendo suas Férias, sua Licença Premia e também o restante do seu Tempo de Aposentado para as Missões? Fazer Missões em 30 dias de Férias fica uma coisa sem compromisso de permanência, não alcançariam nem ver as sementes brotarem. Quando o compromisso é apenas um tempo, qualquer motivo faz estas pessoas voltarem atrás e retomar suas vidas comodamente no país de sua origem.

2. O Tempo e a Permanência são Fundamentais em Missões.

Uma grande quantidade de nações oferece 90 dias aos Turistas para permanecer no país sem necessidade de tramitação de documentos para a residência definitiva.

Se para um Missionário verdadeiro, este prazo de 90 dias é um pequeno período que muitas vezes não alcança nem iniciar sua Missão, imagina para aquele que esta transitoriamente no país?

O tempo inicial é muito importante para a adaptação e aceitação do Missionário no país da sua Missão, mas é bem possível que estes primeiros 90 dias no país só alcançariam ao Missionário conhecer seus lugares de tramitação básica, saber onde se toma o ônibus, onde esta o banco, onde esta o melhor mercado, e onde poderão dirigir-se quando tenha necessidade de alugar um imóvel e pagar suas contas básicas.

Só depois de nove meses de Missões, e não noventa dias, dará aos Missionários as devidas competências e autoridade para dirigir o povo sob sua administração, isto é, se já tiver povo para administrar. São bem poucos os Missionários que assumem uma obra aberta, pois na maioria das vezes o Missionário é quem abrirá uma nova obra, podendo passar muitos meses com poucas pessoas.

Todo Missionário se depara com muitas coisas erradas no inicio da sua Missão, principalmente quando assume uma igreja já em andamento. O desejo de corrigir esta igreja aflora na pele do Missionário, mas só será possível isso, depois de 90 dias de Missões. Nenhum Missionário poderá chegar corrigindo e nem colocando muito o Brasil como exemplo, isso poderá fechar as portas.

Também existem Missionários que ficam três a seis meses no país que eles disseram ser da vontade de Deus e que Deus estava enviando para lá, mas por falta de experiência e sabedoria, logo regressam ao seu país de origem. Já aconteceu de Missionários voltarem precocemente, mas antes fotografaram algumas obras existentes com a intenção de postar na internet como sendo obra própria, causando desconforto para todas as pessoas que o conhecem.

3. Pontos Negativos do Turismo Missionário.

Todos os turistas são livres para gastar o dinheiro e o tempo em viagens pelo mundo, alguns vão para Miami, outros para Bariloche, Veneza, Disney, outros gostam de Safáris pela África, outros de fazer fogueira na Terra Santa, como que lá o fogo queima melhor.

Alguns gostam de Comprar nas zonas Francas, outros preferem conhecer as nações com suas belezas naturais ou com suas belezas históricas. Mas quando o tema é Turismo Missionário prevalecem mais fatores negativos que positivos.

Como somos defensores da ecologia, nem podemos citar o provérbio: ‘Matar dois coelhos com um só tiro’ Fazer Turismo Missionário e aproveitar a viagem de passeio, de compras, de descobrimentos, para fazer algo para as Missões, será querer matar dois coelhos com um só tiro. Não conseguimos ver os benefícios para as Missões ou para os Missionários que recebem estas visitas transitórias.

Ditas pessoas ou caravanas falham nas suas visitas expressa de Missões, quando querem fazer alguma pregação aos nativos, sem dominar uma vírgula daquele idioma. Ainda que os idiomas Português e Espanhol sejam de uma mesma raiz latina, mas não podemos evangelizar em português se estamos entre os latinos, nem evangelizar em espanhol se estamos entre os lusos falantes.

A Bíblia nos fala do que poderia suceder a um estrangeiro tratando de evangelizar no seu idioma materno. (1 Coríntios 14.8) “Porque, se a trombeta der sonido incerto, quem se preparará para a batalha?” 

Imagina você dizer a um latino: Tua vida errada, sem Jesus esta muito esquisita! Este latino poderia entender errado a palavra esquisito, pois no espanhol, exquisito (com x) é uma coisa deliciosa.

O latino poderia responder ao turista brasileiro: você é um pregador fome! Ser fome no espanhol é ser uma pessoa sem graça, desorientada.

Por experiência própria em Missões, em cada visita recebida tivemos mais problemas que bênçãos.

Primeiro por não havia um pregador que dominava o idioma espanhol entre as caravanas brasileiras que recebemos.

Segundo as caravanas não tinham senso de horário, quando levamos as caravanas em certos lugares de passeio, eles atrasavam completamente a viagem, não conseguiam chegar ao lugar de encontro na hora marcada, atrasando tudo, principalmente o horário do culto.

As ofertas que poderiam ser generosas de uma caravana brasileira, com ônibus lotados que recebíamos, não faziam muita diferença na hora de contabilizar, pois as caravanas gastam seus recursos nas compras de lembranças, vestimentas e alimentações, não ficando um bom dinheiro para a Oferta Missionária.

Os mais liberais chegam a comprar até garrafas de vinho, os músicos compraram um instrumento típico chamado pau d’água, as mulheres compram roupas, os mais idosos compram postais, outros bandeiras, pedras vulcânicas e outros chaveiros esquecendo completamente de reservarem alguma oferta para abençoar a Igreja Missionária.

Outra questão foi que alguns casais de ‘cantores’ de algumas igrejas viajam pensando em tirar as despesas da viagem nos seus CDs, louvores em português, de repente não são bem aceitos e os CDs que deveriam costear os gastos da viagem, acabam voltando sem resultado algum. Como as igrejas no Chile são pequenas, os cantores terão dificuldades para venderem seus CDs.

Também não foram de benção alguns grupos menores de Pastores que recebíamos. Os pastores, pela sua vez ficaram em hotéis internacionais. Fica difícil para qualquer pastor que sai de um ambiente requintado de um hotel, desfrutar o ambiente do local de cultos da igreja de um Missionário, pois na maioria dos casos, os Missionários alugam lugares simples e pequenos.

Certa oportunidade servimos alguns pedaços de bolos, comprado com dificuldade nos supermercado a certos pastores brasileiros que estavam hospedados em um hotel de luxo. Nossa intenção era fazer uma pequena cortesia, mas enquanto comiam escutei um deles dizer que não gostavam de bolo. Não citamos os seus nomes nem suas cidades e igrejas por não envergonhar o nome de Deus, mas isso foi marcante, que alguém tivesse desprezado nosso pedaço de não de bolo.

4. Visitas deveriam deixar Benefícios nas Igrejas Missionárias.

As visitas mesmo tendo condições de hospedagens em hotéis, deveriam deixar alguma utilidade à igreja local, abençoando com a presença, com a participação pregando ou cantando no idioma nativo, e deixando alguma oferta para a igreja local, ou para o Missionário anfitrião.

Fora do hotel, essa caravana deveria conhecer a vida nativa daquele país, andar pelas ruas populares e se alimentar do mesmo modo que os nativos. Como sempre trabalhamos no Chile, pensamos que a boa visita se esforçará em comer como comem os chilenos, caminhar onde eles caminham, não necessariamente ou só apenas nos lugares elegantes.

Existe nações que seria impossível alguém fora do Missionário, fazer uma Visita Missionária, muito menos fazer Turismo Missionário, onde não a liberdade de culto, onde os Missionários são perseguidos. Onde os Missionários até mudam de nome como uma forma de proteção, deixam a barba crescer, usam as vestimentas do lugar para poder viver entre os nativos ou iguais aos nativos e assim levar o Evangelho.

Seria de maior proveito aos Missionários se os Turistas Missionários em vez de viajarem para conhecer as terras das Missões, enviassem todo o dinheiro que gastariam nas passagens, nos hotéis, para que fossem aplicados na obra de Deus, dirigida pelo Missionário em questão.

O Missionário em gratidão enviaria um DVD com as imagens inéditas do país, ou uma bandeira, ou uma revista com fotografias, para ser colocado em exposição na casa, no escritório ou na sua igreja, destas pessoas que doaram o dinheiro das suas viagens.

5. Missões não se faz com as Mãos Vazias.

O hino nacional dos evangélicos no Brasil é o numero 15 da Harpa Crista, muito lindo não é verdade? Mas o hino vizinho da esquerda o numero 16 é um Hino totalmente Missionário que nos indaga com cinco perguntas que poucos conseguem responder.

  1. Posso tendo as mãos vazias, com Jesus eu me encontrar?
  2. Nada fiz, e vão-se os dias, que lhe posso apresentar?
  3. Quantas almas poderiam ao Senhor apresentar?
  4. Qual será a minha sorte, se no céu vazio entrar?
  5. Quantas almas irei levando, para meu fiel Senhor?

Se fizermos Turismo não vamos conseguir responder nenhuma das perguntas do hino 16.

Existem pessoas que conseguem cantar o hino 16 tirando os pontos de interrogação e colocam pontos de exclamações, como que estão afirmando estas cinco verdades, ficando da seguinte maneira:

Posso tendo as mãos vazias, com Jesus eu me encontrar!

Nada fiz, e vão-se os dias! Será a minha sorte no céu vazio entrar!

Finalizamos dizendo que precisamos de Ajuda Missionária, estamos falando a verdade e estamos postando fotos reais e vídeos reais, vividos na prática, em total Ação Missionária, sem ter a necessidade de investigação para saber se o dinheiro recebido esta sendo bem aplicado

E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. (Marcos 16:15)

 

 

Comentários

Comentários

1 Comentário

  1. Fabiano Frota

    Lindo texto. Muito lúcido e verdadeiro.
    Na minha opinião missões é isso, estar com aquele povo e igreja. Fui missionário na africa por 4 anos sem se quer voltar ao Brasil nesses 4 anos que la estive. Espero ter feito algo por aquela igreja. Shalom.

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *